A visão desempenha um papel fundamental no desenvolvimento infantil. Desde os primeiros anos de vida, a criança utiliza as informações visuais para explorar o ambiente, reconhecer pessoas e objetos, orientar seus movimentos, desenvolver habilidades motoras e, posteriormente, aprender a ler e escrever.
Por isso, avaliar a visão durante a infância vai muito além de verificar se a criança consegue enxergar letras pequenas. Uma avaliação visual completa busca compreender como os olhos captam as informações e como o sistema visual organiza e utiliza essas informações nas atividades do dia a dia.
Durante o crescimento, diversas habilidades visuais estão em processo de desenvolvimento, como a acuidade visual, a coordenação entre os dois olhos, a acomodação, as vergências, os movimentos oculares, a percepção de profundidade, a visão periférica e diferentes componentes do processamento visual. Alterações nessas funções podem interferir no conforto, na atenção visual, na leitura, na escrita, no desempenho escolar e na coordenação visuomotora.
Nem sempre a criança percebe que existe uma dificuldade visual
Muitas alterações visuais podem passar despercebidas porque a criança não possui uma referência para comparar sua própria experiência visual. Em alguns casos, ela pode considerar normal enxergar embaçado, aproximar-se excessivamente dos objetos, perder-se durante a leitura ou sentir desconforto após atividades prolongadas de perto.
Alguns sinais merecem atenção:
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aproximar muito livros, cadernos ou telas;
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apertar ou fechar um dos olhos para enxergar;
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apresentar dores de cabeça ou desconforto após atividades visuais;
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perder frequentemente a linha durante a leitura;
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utilizar o dedo para acompanhar as palavras;
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apresentar dificuldade para copiar informações do quadro;
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demonstrar baixa concentração em tarefas de perto;
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evitar leitura ou atividades que exigem esforço visual prolongado;
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apresentar postura inadequada durante a escrita;
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trocar, omitir ou repetir palavras durante a leitura;
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apresentar dificuldade de coordenação olho-mão;
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manifestar sensibilidade excessiva à luz;
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apresentar desvio ocular ou movimentos oculares atípicos.
A presença de um desses sinais não determina, isoladamente, uma alteração visual específica, mas indica a necessidade de uma investigação adequada.
Avaliação precoce favorece o desenvolvimento visual
A infância representa um período de intensa maturação do sistema visual e do sistema nervoso. Por essa razão, a identificação precoce de alterações permite orientar a criança e sua família e, quando necessário, estabelecer estratégias de acompanhamento, correção, estimulação ou reabilitação visual.
Condições como erros refrativos, alterações da binocularidade, ambliopia e estrabismo, entre outras, podem comprometer o desenvolvimento visual quando não identificadas adequadamente.
Além disso, mesmo crianças que apresentam boa acuidade visual podem possuir dificuldades em outras funções necessárias para sustentar atividades escolares e cotidianas.
Visão e aprendizagem estão intimamente relacionadas
Grande parte das informações utilizadas no ambiente escolar possui componente visual. A criança precisa localizar rapidamente um estímulo, manter a fixação, movimentar os olhos com precisão, alternar o foco entre diferentes distâncias, coordenar os dois olhos e interpretar as informações que observa.
Por isso, uma avaliação visual infantil deve considerar não apenas quanto a criança enxerga, mas também como ela utiliza a visão.
Dependendo da idade, das necessidades e das manifestações apresentadas, podem ser investigados aspectos como acuidade visual, refração, acomodação, vergências, visão binocular, motilidade ocular, estereopsia, percepção cromática e habilidades visuomotoras e perceptuais.
A avaliação visual faz parte do cuidado integral da criança
O desenvolvimento infantil é multidimensional. Quando necessário, a atenção visual pode integrar-se ao acompanhamento de outros profissionais das áreas da saúde e da educação, respeitando as competências de cada especialidade.
Observar precocemente o comportamento visual da criança permite compreender melhor suas necessidades e contribuir para que ela desenvolva suas habilidades com maior conforto e eficiência.
Na ABOI – Academia Brasileira de Optometria Integrativa, defendemos uma abordagem ampla da função visual, considerando a visão como parte de um sistema integrado ao desenvolvimento motor, sensorial, cognitivo e às demandas individuais de cada criança.
Cuidar da visão na infância é investir no desenvolvimento, na autonomia e nas oportunidades de aprendizagem ao longo da vida.


